terça-feira, 9 de agosto de 2016

Biomas Brasileiros


Médicos brasileiros e argentinos suspeitam que inseticida de mosquito seja a causa da microcefalia

Com a relação proposta entre o vírus da zika e o surto de microcefalia no Brasil em recém-nascidos parecendo cada vez mais tênue, médicos latino-americanos estão propondo uma outra causa possível: o piriproxifeno, pesticida usado no Brasil desde 2014 para deter o desenvolvimento da larva do mosquito em tanques de água potável. Poderá a “cura” ser, na realidade, o veneno?
A reportagem é de Claire Robinson, publicada por GMWatch - The Ecologist, 10-02-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
As más-formações detectadas em milhares de crianças em mulheres grávidas que vivem em regiões onde o Estado brasileiro adicionou o piriproxifeno à água potável não são coincidências, muito embora o Ministério da Saúde ponha a culpa diretamente no vírus da zika.
A opinião da Organização Mundial da Saúde de que o surto de microcefalia na região Nordeste do país é causado pelos vírus da zika foi, até o momento, pouco questionada. 
O ministro da Saúde brasileiro, Marcelo Castro, chegou a dizer que tem “100% de certeza” de que há uma ligação entre zika e microcefalia, um defeito de nascimento em que os bebês nascem com cabeças pequenas.
Essa visão é amplamente apoiada pela comunidade médica internacional, incluindo o influente Center for Disease Control, dos EUA. Mas não há fortes evidências desta relação. Em vez disso, existe uma mistura de indícios e provas circunstanciais.
Um dos estudos científicos centrais, feito por A. S. Oliveira Melo et al. e publicado na revista Ultrasound in Obstetrics & Gynecology, encontrou o vírus da zika nos fluídos amnióticos que afetaram bebês e suas mães. Mas somente duas mulheres foram examinadas, um número demasiado pequeno para estabelecer uma ligação estatisticamente significativa.
O jornal The New York Times também informou, em 3 de fevereiro, o resultado das análises feito pelo Ministério da Saúde do Brasil: “Dos casos examinados até agora, 404 foram confirmados como tendo microcefalia. Somente 17 deles testaram positivo para o vírus da zika. Mas o governo e muitos pesquisadores dizem que o número pode ser amplamente irrelevante, porque os testes feitos encontrariam a presença do vírus em somente uma minúscula porcentagem de casos”.
E, no último fim de semana, o indicador mais poderoso de que a microcefalia pode ter uma outra causa foi anunciada pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, segundo reportagem do Washington Post. Autoridades colombianas de saúde pública até agora diagnosticaram, segundo Santos, 3.177 mulheres grávidas com o vírus da zika, mas em nenhum caso se observou microcefalia no feto.
Médicos argentinos: é o inseticida
Agora, um novo relatório foi publicado pela organização médica argentina Physicians in the Crop-Sprayed Towns –PCST (na sigla em inglês), que não apenas desafia a teoria de que a epidemia do vírus da zika no Brasil seja a causa do aumento de microcefalia em recém-nascidos, mas propõe uma explicação alternativa.
Segundo a PCST, o Ministério não conseguiu reconhecer que, na região onde vivem mais pessoas doentes, um larvicida químico que produz más-formações em mosquitos foi adicionado no fornecimento de água potável em 2014.
Este pesticida, o piriproxifeno, é fabricado pela Sumitomo Chemical, um “parceiro estratégico” japonês da Monsanto – empresa que estes médicos aprenderam a desconfiar devido ao grande volume de pesticidas dela pulverizados em terras agrícolas na Argentina.
piriproxifeno é um inibidor de crescimento da larva do mosquito, que altera o processo de desenvolvimento desde a larva, passando pelo estágio da pupa até a fase adulta, assim gerando más-formações em mosquitos em desenvolvimento e matando ou incapacitando-os. O produto age como um hormônio juvenil de inseto, ou juvenoide, e tem o efeito de inibir o desenvolvimento das características do inseto adulto (por exemplo, asas e genitália externa madura) e o desenvolvimento reprodutivo.
O produto químico tem índices de risco relativamente baixos, possuindo uma baixa toxidade aguda. Testes feitos pelaSumitomo realizados em uma variedade de animais descobriu que ele não era um teratógeno (não causava defeitos de nascimento) nos mamíferos testados. No entanto, não se pode tomar essa conclusão como um indicador confiável dos seus efeitos nos seres humanos – especialmente diante das evidências em contrário.
PCST comentou: “As más-formações detectadas em milhares de crianças de mãe grávidas que vivem em regiões onde o Estado brasileiro adicionou o piriproxifeno à água potável não são coincidências, muito embora o Ministério da Saúde coloque a culpa por este dano diretamente no vírus da zika”.
Eles também notaram que o zika tem sido tradicionalmente tomado como uma doença benigna que nunca antes esteve associada com defeitos de nascimento, mesmo em áreas onde ele infecta 75% da população.
Médicos brasileiros também suspeitam do piriproxifeno
piriproxifeno é uma introdução relativamente nova ao meio ambiente brasileiro; o aumento da microcefalia é um fenômeno relativamente novo. O larvicida parece, portanto, um fator causativo plausível na microcefalia – muito mais do que mosquitos geneticamente modificados, os quais alguns têm culpado pela epidemia do zika e, consequentemente, pelos defeitos de nascimento.
O relatório do PCST, que também aborda a epidemia da febre da dengue no Brasil, concorda com os achados de um outro relatório sobre o surto do zika, este produzido por médicos brasileiros e pela organização de pesquisadores em saúde, Abrasco.
Abrasco igualmente identifica o piriproxifeno como uma causa possível da microcefalia. Ela condena a estratégia do controle químico dos mosquitos portadores do zika, o que, dizem, está contaminando o meio ambiente bem como as pessoas e não está diminuindo o número de mosquitos.
Em vez disso, a Abrasco sugere que essa estratégia está, na realidade, orientada por interesses comerciais da indústria química, que, dizem, encontra-se profundamente inserida nos ministérios de Saúde latino-americanos, bem como na Organização Mundial da Saúde e na Organização Pan-Americana de Saúde.
A Abrasco identifica a empresa inglesa de insetos geneticamente modificados Oxitec como parte de um lobby corporativo que tem distorcido os fatos sobre o vírus da zika a fim de atender os seus próprios interesses. A Oxitec vende mosquitos geneticamente modificados para a esterilidade e os coloca no mercado como um produto de combate à doença – estratégia condenada pelos médicos argentinos como um “fracasso total, exceto para a empresa que fornece os mosquitos”.
Tanto os médicos brasileiros e argentinos quanto as associações de pesquisadores concordam que a pobreza é um fator-chave que está sendo negligenciado na epidemia em curso. A Abrasco condenou o governo brasileiro por sua “ocultação deliberada” das causas econômicas e sociais: “Na Argentina e em todo o continente, as populações mais pobres com menos acesso ao saneamento e à água potável sofrem mais com este surto epidêmico”. A PCST concorda, afirmando: “A base do progresso da doença encontra-se na desigualdade e na pobreza”.
A Abrasco acrescenta que a doença está estreitamente ligada à degradação ambiental: inundações causadas pelodesmatamento e o uso massivo de herbicidas em plantações de soja (geneticamente modificadas) tolerantes a herbicida. Em suma, “os impactos de indústrias extrativas”.
A noção de que a degradação ambiental pode ser um fator na difusão do zika encontra sustentação na visão de Dino MartinsPh.D. Martins, que é entomologista queniano, diz que “a explosão dos mosquitos em áreas urbanas, que está levando adiante a crise do vírus da zika” é causada por uma “falta de diversidade natural que, do contrário, manteria as populações de mosquito sob controle e também pela proliferação de resíduos e a falta de locais para o despejo em algumas áreas que fornecem um habitat artificial para os mosquitos se reproduzirem”.
Ações de base comunitária
Os médicos argentinos acreditam que a melhor defesa contra o zika são “ações de base comunitária”. Um exemplo de tais ações acontece em El Salvador.
Um dos locais favoritos para a reprodução dos mosquitos portadores da doença são contêineres de armazenamento de água parada, ou caixas d’água. Os salvadorenhos começaram a manter peixes nesses ambientes; os peixes comem a larva do mosquito. Assim, a dengue se foi juntamente com o mosquito que transmite a doença. Até agora, não há nenhum caso de infecção do vírus da zika.
Programas simples porém eficazes como esse correm o perigo de serem negligenciados no Brasil em favor de programas de pulverização de pesticidas e da soltura de mosquitos geneticamente modificados, iniciativas apoiadas por empresas. A prática de pulverização ainda não foi comprovada, e os mosquitos geneticamente modificados podem estar causando prejuízos muito mais graves do que os mosquitos que estão sendo visados.

Declínio da população de abelhas ameaça agricultura, alerta ONU

Animais polinizadores são responsáveis por 5% a 8% da produção agrícola global

por O Globo, com Agências Internacionais
26/02/2016 9:04 / Atualizado 26/02/2016 9:30



A população de abelhas na Europa reduziu em 37% - Suzanne Plunkett / Reuters / REUTERS


RIO — As abelhas, borboletas e outras espécies importantes para a agricultura estão desaparecendo, e essa redução nas populações apresenta sério risco para a produção global de alimentos, alertou nesta semana o painel de biodiversidade das Nações Unidas. Em relatório, a Plataforma Intergovernamental Político-científica sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES, na sigla em inglês) informou que a polinização animal é responsável por 5% a 8% da produção agrícola global por volume, gerando riquezas estimadas entre US$ 235 bilhões e 577 bilhões.
“Muitas abelhas selvagens e borboletas estão declinando em abundância, ocorrência e diversidade em escalas local e regional no Noroeste da Europa e na América do Norte”, afirmou o painel, destacando ainda que o declínio é registrado em outras partes do mundo e as possíveis causas incluem perda de habitat, pesticidas, poluição, espécies invasoras, doenças e mudanças climáticas.
Na Europa, 9% das espécies de abelhas e borboletas estão ameaçadas de extinção e as populações de abelhas declinaram em 37% e, entre as borboletas, a redução foi de 31%, aponta o painel. Em algumas regiões do continente, mais de 40% das espécies de abelhas estão ameaçadas. Por falta de dados, a análise não pode ser realizada na América Latina, Ásia e África, mas o mesmo processo deve estar acontecendo nestas regiões.
Os polinizações não insetos, como morcegos e pássaros, também estão diminuindo, com 16% dessas espécias ameaçadas de extinção em todo o mundo, aponta o painel.
SEM CAFÉ E CHOCOLATE
O relatório do IPBES, painel instituído em 2012 sob o comando da ONU para avaliar a situação dos ecossistemas e biodiversidade, não chegou a declarar uma ameaça em grande escala para a produção de alimentos, mas sublinhou a importância de proteger espécies polinizadoras para garantir a produção de frutos, grãos, leguminosos e outros vegetais, sobretudo frente ao desafio de aumentar a produção para alimentar a crescente população global.
— Sem os polinizadores, muitos de nós não poderíamos consumir café, chocolate ou maçãs, entre outros alimentos do dia a dia — disse Simon Potts, vice-presidente do IPBES, à agência France Press.
A polinização é a transferência de pólen entre as partes macho e fêmea das flores, o que permite a reprodução e consequente formação de frutos e sementes. Ao pousarem ou se alimentarem nas flores, pássaros e insetos carregam o pólen, que acaba sendo depositado na próxima flor que o animal visitar.
As principais lavouras globais, como arroz, trigo e outros grãos não dependem da polinização animal, mas plantações vulneráveis incluem praticamente a totalidade dos frutos e outros vegetais.
“As espécies dependentes das polinizações englobam a produção de muitas frutas, vegetais, sementes, nozes e óleos, que fornecem a maior proporção de micronutrientes, vitaminas e minerais da dieta humana”, diz o relatório.
Para minimizar os impactos e recuperar as populações de animais polinizadores, o IPBES recomenda melhor proteção dos ecossistemas, limitação do alcance da agricultura intensiva e a pesquisa por alternativas aos pesticidas. Além de maior atenção ao controle de patógenos e melhor regulação do manejo de populações de abelhas e outros polinizadores.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Custo de Produção de Hortaliças em Cultivo Orgânico

Cassiana Felipe de Souza, Allana Ramony Batista Fernandes, Roberto de Sousa Nascimento, Jacinto de Luna Batista

INTRODUÇÃO

A agricultura orgânica faz parte do conceito abrangente de agricultura alternativa e tem-se destacado como uma das alternativas de renda para os pequenos agricultores, devido à crescente demanda mundial por alimentos mais saudáveis (CAMPANHOLA e VALARINI, 2001).

Constitui-se uma opção viável para a inserção dos pequenos agricultores no mercado, pois, embora utilizem mais mão-deobra e apresentem menor produtividade que os sistemas convencionais, mostram um desempenho econômico sempre melhor, traduzido por menores custos efetivos, maiores relações benefício-custo e maiores rendas efetivas (CARMO e MAGALHÃES, 1998, citado por CAMPANHOLA e VALARINI, 2001).

Segundo Ormond et al. (2002), a agricultura orgânica é uma retomada do uso de antigas práticas agrícolas, porém adaptando-as às mais modernas tecnologias de produção agropecuária com o objetivo de aumentar a produtividade e causar o mínimo de interferência nos ecossistemas, além de ser uma das alternativas para viabilizar a pequena propriedade.

A produção de hortaliças e legumes é parte importante da produção sob manejo orgânico, mas
esses produtos ocupam áreas relativamente pequenas em comparação com o volume obtido. O caso das hortaliças é conseqüência da adequação do sistema de produção orgânica às características de pequenas propriedades com gestão familiar, seja pela diversidade de produtos cultivados em uma mesma área, seja pela menor dependência de recursos externos, com maior utilização de mão-de-obra e menor necessidade de capital (ORMOND et al, 2002).

Ainda são muitos os entraves encontrados pelo produtor orgânico brasileiro, constituindo barreiras à entrada neste mercado. Cabe ressaltar que cada cultura e produção apresentam diferentes custos devido a diferentes dimensões, características do solo, escala de produção etc (MACHADO E CORAZZA, 2004).

OBJETIVO

  • Caracterizar o custo de produção de hortaliças orgânicas em uma propriedade na cidade de Areia-PB quanto às normas e práticas da agricultura orgânica.


METODOLOGIA

O trabalho foi desenvolvido no mês de outubro de 2009 em uma propriedade agroecológica no
município de Areia, situado na Microrregião do Brejo Paraibano (Latitude 6°58’07’’ S, longitude 35°44’03’’). Foi adotada a metodologia de entrevista com o proprietário Cícero Ursulino, o qual destina 0,5 ha para produção de hortaliças orgânicas. Os dados coletados da entrevista foram avaliados e submetidos a uma análise por meio de planilha eletrônica (Excel da Microsoft).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As despesas por mês, com a produção de hortaliças em cultivo orgânico, em uma propriedade
agroecológica do município de Areia-PB estão apresentadas na figura 1. Observa-se uma maior despesa nos tratos culturais/plantio (34%) e uma menor despesa com a colheita (13%). Apesar de serem manuais os tratos culturais demandam tempo e dinheiro, já que o dono da propriedade paga diárias no valor de $ 15,00. A colheita é realizada em um período 08 dias inferior a dos tratos culturais/plantio e por isso torna-se mais barata.

As sementes que compreendem 16% das despesas são adquiridas em casas especializadas para a revenda. O adubo representado pelos estercos de vaca e de cabra e pela cama de frango engloba 23% das despesas e os 14% de custos restantes são devido ao transporte dos produtos até o consumidor.

FIGURA 1: Distribuição das despesas da produção de hortaliças orgânicas por mês. Areia-PB, Outubro de 2009.

Observa-se na figura 2 o ganho percentual por mês com a venda de hortaliças orgânicas em uma propriedade agroecológica do município de Areia-PB. A receita do coentro (36%) faz com que este se destaque como principal produto agroecológico na rentabilidade da produtividade orgânica desta propriedade. E segundo lugar destaca-se a couve-flor com 30% do montante da receita do produtor. A couve-folha apesar de apresentar o mesmo preço de revenda do coentro é produzida em baixa escala, sendo pouco significativa na produção orgânica da propriedade.

FIGURA 2: Distribuição da receita da produção de hortaliças orgânicas. Areia-PB, Outubro de 2009.

Ao analisar economicamente a produção orgânica de hortaliças (Figura 3) verifica-se que a receita obtida com a venda dos produtos cobre as despesas de produção. Dessa maneira, o produtor obtém uma boa margem de lucro podendo contar com uma fonte segura de renda por mês. Isso se deve principalmente a preocupação de inspeção da área, realizando quando necessárias pulverizações com inseticidas naturais.

FIGURA 3: Análise econômica da produção de hortaliças orgânicas. Areia-PB, Outubro de 2009


CONCLUSÕES

Apesar da redução de lucros de atividades agrícolas com a industrialização, a agricultura orgânica mostra-se como uma atividade lucrativa e com mercado garantido; A agricultura orgânica além de banir o uso de produtos químicos nos alimentos, diminui os custos de produção, aumenta a oferta de emprego e diminui o êxodo rural.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAMPANHOLA, C.; VALARINI, P.J. A agricultura orgânica e seu potencial para o pequeno agricultor. Cadernos de Ciência & Tecnologia, Brasília, v.18, n.3, p.69-101, set./dez.

MACHADO, F. G.; CORAZZA R. I. Desafios tecnológicos, organizacionais e financeiros da agricultura orgânica no Brasil. Revista de la Facultad de Economía, BUAP, Ano IX, Número 26, Mayo-Agosto de 2004.

Ormond.J.G.P.; Lima de Paula,S.R.; Faveret Filho,P.; Rocha,L.T.M. Agricultura Orgânica: Quando o Passado é Futuro. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 15, p. 3-34, mar. 2002

BANCO DE PROTEÍNA PARA O SEMIÁRIDO

A sustentabilidade dos agrossistemas familiares no Curimataú paraibano, assim como no restante do semiárido nordestino, é um dos aspectos atuais mais relevantes para a região. Entretanto, o cultivo agrícola e a retirada dos restos culturais após a colheita, sem adoção de práticas que visem à reposição de nutrientes, podem causar a degradação das propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos. Nessa região estes efeitos são mais intensos em razão das altas temperaturas associadas com a disponibilidade de água durante a época chuvosa do ano, resultam em altas taxas de decomposição dos restos vegetais e da matéria orgânica do solo.
Estudos recentes têm demonstrado que a preservação ou o plantio de espécies nativas ou introduzidas podem contribuir para a preservação e recuperação da fertilidade do solo em campos agrícolas semiárido nordestino. Atrelado a esses fatores é imprescindível a utilização de espécies que sirvam, além de contribuir com as características mencionadas acima, também de suporte forrageiro tendo um alto valor protéico.
Várias são as plantas forrageiras que possuem essas características, possuírem também uma alta capacidade de produzir biomassa e tenham um elevado índice protéico em condições de baixa disponibilidade hídrica no semiárido, porém o projeto visa à propagação de espécies de maior rusticidade, disponibilidade na região e de rápida propagação. As espécies trabalhadas no banco de proteína serão: maniçoba, leucena e gliricidia.

MANIÇOBA


Nativa da caatinga e possui grande resistência a seca, devido ao acúmulo de reservas em seu sistema radicular. Desenvolve-se na maioria dos solos, podendo ser considerada um recurso forrageiro de boa qualidade.
A maniçoba possui em sua composição quantidades variáveis de determinadas substâncias que dão origem ao ácido cianídrico; por isso, seu consumo deve ser, preferencialmente, na forma de feno.
O primeiro corte para fenação pode ser feito no segundo ano após o plantio e deverá ser triturada em máquina forrageira convencional e espalhada em camadas finas para secarem sob a ação do sol e do vento. Em dois ou três dias o material estará pronto para armazenamento. Produtividade por área: 4 a 5 toneladas de matéria seca/ha;
·         Forma de plantio: 7 cm de profundidade com 4 a 6 sementes por cova;
·         Consumo: 12 a 15 kg de sementes/ ha;
·         Proteína bruta: 20,5 a 22%;
·         Longevidade: mais de15 anos;
·         Espaçamento: 1m entre linhas por 1m entre plantas;
·         Propagação: sementes e estacas;

LEUCENA



Forrageira altamente palatável e de grande valor nutritivo. A folhagem e os frutos mais novos chegam a apresentar teores protéicos de 35%, além de ser melhoradora de solo, semelhante ao guandu. Por possuir um profundo sistema radicular, é tolerante à seca, concentrando a maior parte de sua produção de matéria seca na estação chuvosa. Alguns trabalhos têm mostrado que a ensilagem em tambores é a maneira mais eficiente e de baixo custo para o produtor. A silagem de leucena não deve ser considerada e utilizada como alimento volumoso energético, mas como suplemento protéico.
·         Espaçamento: 3,00m x 1,00m ou 2m x 1,0m;
·         Consórcio: maniçoba, melancia forrageira, etc;
·         Proteína bruta: 21 a 23%;
·         Produtividade média: 5 toneladas/ha;
·         Forma de utilização: feno, silagem ou pastejo direto.

GLIRICIDIA


Planta resistente à seca e bem adaptada para a região nordeste do Brasil. Pelas suas múltiplas potencialidades, a gliricídia é uma opção para as pequenas propriedades rurais podendo ser utilizada como forragem na alimentação animal, como adubo verde, como árvore de sombra e recuperadora de solos em sistemas agroflorestais, como moirão em cercas vivas e, como lenha para gerar calor.
A principal vantagem da gliricídia com relação à outras plantas ricas em proteina como a leucena, é a facilidade com que pode ser estabelecida, tendo em vista que, além das possibilidades do plantio por mudas ou diretamente por sementes.

·         Espaçamento: 3,00m x 2,00m ou 2,00m x 2,00m;
·         Propagação: Sementes ou estaquia;
·         Proteína bruta: 20,5 a 21%

·         Produtividade média: 5 a 20 toneladas de matéria seca/ha/ano;

#ConhecendoAsPlantas:


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